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Crítica radical e revolução social

Este sítio publica ensaios e textos meus e bem como notícias, textos e análises científicas de vários autores e militantes acerca da teoria e a prática socialista e a consequente crítica ao sistema social capitalista, entre outros temas relacionados.

11 de novembro de 2009

Documento oficial da US Air Force revela as verdadeiras intenções por trás do Acordo Militar EUA-Colômbia

Por Eva Golinger

Um documento oficial do Departamento da Força Aérea dos EUA revela que a base militar de Palanquero na Colômbia providenciará ao Pentágono "uma oportunidade de conduzir operações de todo o tipo na América do Sul." Esta informação contradiz as explicações dadas pelo presidente colombiano Álvaro Uribe e o Departamento de Estado dos EUA relativas ao acordo militar assinado entre as duas nações no passado dia 30 de Outubro. Ambos governos afirmaram publicamente que o acordo militar se cinge a operações anti-tráfico e anti-terroristas dentro do território colombiano. O presidente Uribe reiterou numerosas vezes que o acordo militar com os EUA não afectará os vizinhos da Colômbia, apesar da preocupação existente na região quanto aos seus verdadeiros objectivos. Mas, o documento da Força Aérea Norte-Americana, datado de Maio de 2009, confirma que as preocupações das nações sul americanas não eram indevidas. O documento expõe que a verdadeira intenção por trás do acordo é de permitir que os EUA lancem "operações militares de todo o tipo numa sub-região crítica do nosso hemisfério, onde a segurança e a estabilidade estão sob ameaça constante de movimentos insurgentes financiados pelo narcotráfico (...) e de governos anti-EUA."

O acordo militar entre Washington e a Colômbia autoriza o acesso e o uso de sete instalações militares em Palaquero, Malambo, Tolemaid, Larandia, Apíay, Cartagena e Málaga. Para além disso, o acordo autoriza "o acesso e o uso, segundo a necessidade, de outras instalações e locais" na Colômbia, sem restrições. Juntamente com a total imunidade, o acordo prevê que os militares e civis norte-americanos, incluindo forças privadas de defesa e segurança, estejam autorizados a utilizar qualquer instalação do país – incluindo aeroportos comerciais – para fins militares, o que significa a renúncia completa da soberania colombiana e oficialmente converte a Colômbia num Estado-cliente dos EUA.

O documento da Força Aérea sublinha a importância da base militar em Palanquero e justifica os 46 milhões de dólares pedidos no orçamento de 2010 (agora aprovado pelo Congresso norte-americano) para melhoria da pista e das instalações associadas, de forma a torná-la um Local de Segurança Cooperativa (Cooperative Security Location, CSL). "Estabelecer um CSL em Palanquero adequa-se melhor à Postura Estratégica no Teatro de operações do Comando Combatente (Command Combatant, COCOM) e demonstra o nosso empenho nesta relação. O desenvolvimento deste CSL cria uma oportunidade única para lançar operações militares de todo o tipo numa sub-região crítica do nosso hemisfério, onde a segurança e a estabilidade estão sob ameaça constante de movimentos insurgentes financiados pelo narcotráfico, de governos anti-EUA, de pobreza endémica e de desastres naturais recorrentes."

Não é difícil imaginar que governos na América do Sul são considerados por Washington como "governos anti-EUA". As constantes posições e declarações agressivas emitidas pelos Departamentos de Estado e de Defesa contra a Venezuela e a Bolívia, e até certo grau contra o Equador, evidenciam que as nações da ALBA são as que Washington descreve como "ameaça permanente". Classificar um país de "anti-EUA" é considerá-lo como inimigo dos Estados Unidos. Neste contexto, torna-se óbvio que o acordo militar com a Colômbia é uma reacção dos EUA a uma região que agora considera pejada de "inimigos".

A luta contra o narcotráfico é secundária

Segundo o documento da Força Aérea dos EUA, "O acesso à Colômbia vai aprofundar a sua parceria estratégica com os Estados Unidos. A forte relação de cooperação em segurança também oferece uma oportunidade de conduzir operações de todo o tipo na América do Sul, incluindo o reforço das capacidades de combate ao narcotráfico". Torna-se evidente por esta afirmação que a luta contra o narcotráfico é secundária relativamente aos verdadeiros objectivos do acordo militar entre a Colômbia e Washington. Novamente, há aqui um claro contraste com as repetidas declarações dos governos de Uribe e Obama insistindo que o objectivo principal do acordo é combater o narcotráfico. A Força Aérea sublinha antes a necessidade de melhorar as operações militares de todo o tipo na América do Sul – não apenas na Colômbia – de maneira a combater as "ameaças constantes" de "governos anti-EUA" na região.

Palaqueros é a melhor opção para uma mobilidade continental

O documento da Força Aérea explica que "Palaquero é sem dúvida o melhor local para investir no desenvolvimento de infra-estruturas dentro da Colômbia. A sua localização central permite alcançar (...) áreas de operações (...) [e] o seu isolamento maximiza a Segurança Operacional (Operational Security, OPSEC) e Protecção da Força ajudando a minimizar o perfil da presença militar dos EUA. A intenção é rentabilizar a infra-estrutura existente ao máximo possível, melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a uma crise e assegurar acesso e presença regional a menor custo. [A base de] Palanquero apoia a mobilidade da missão por providenciar acesso facilitado a todo o continente sul-americano, com excepção do Cabo Horn (...) "

Espionagem e guerra

Adicionalmente, este documento confirma que a presença militar norte-americana em Palanquero vai melhorar a capacidade de operações de espionagem e de recolha de informação, e vai permitir o aumento da capacidade de combate na região das forças armadas norte-americanas. "O desenvolvimento deste CSL vai aprofundar a parceria estratégica forjada entre os EUA e a Colômbia e é do interesse das duas nações (...) Presença que também alargará a nossa capacidade de desencadear operações de recolha de informação, vigilância e reconhecimento (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance, ISR), melhorar o alcance global, suprir necessidades logísticas, melhorar parcerias, melhorar a cooperação de segurança em teatros de operações e expandir a capacidade de operações expedicionárias".

A linguagem de guerra incluída neste documento evidencia as verdadeiras intenções do acordo militar entre Washington e Colômbia: estão a preparar-se para uma guerra na América Latina. Os últimos dias foram recheados de conflito e tensão entre a Colômbia e a Venezuela. Há poucos dias, o governo venezuelano capturou três espiões do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) – a agência de serviços secretos colombiana – e descobriu diversas operações de espionagem e destabilização contra Cuba, Equador e Venezuela. As operações – 'Fénix', 'Salomón' e 'Falcón', respectivamente – foram reveladas em documentos encontrados com os agentes da DAS capturados. Há aproximadamente duas semanas, 10 corpos foram encontrados em Táchira, uma zona fronteiriça com a Colômbia. Completadas as investigações necessárias, o governo venezuelano concluiu que os corpos pertenciam a paramilitares colombianos infiltrados em território venezuelano. Esta perigosa infiltração paramilitar colombiana faz parte de um plano de destabilização contra a Venezuela que procura criar um estado paramilitar dentro do território venezuelano, de maneira a enfraquecer o governo do presidente Chávez.

O acordo militar entre Washington e a Colômbia virá apenas aumentar as tensões regionais e a violência. A informação revelada pelo documento da Força Aérea dos EUA evidencia de forma inquestionável que Washington procura promover um estado de guerra na América do Sul, utilizando a Colômbia como rampa de lançamento. Antes da declaração de guerra, os povos da América Latina devem permanecer fortes e unidos. A integração Latino-Americana é a melhor defesa contra a agressão do império.

*O documento da Força Aérea dos EUA foi submetido em Maio de 2009 ao Congresso norte-americano como parte da justificação do orçamento para 2010. É um documento oficial do governo e atesta a autenticidade do "Livro Branco: Estratégica Global em curso do Comando de Mobilidade Aérea dos EUA" White Book: Global Enroute Strategy of the US Air Mobility Command), que foi denunciado pelo presidente Chávez no encontro da UNASUL em Bariloche na Argentina no passado dia 28 de Agosto. Coloquei o documento original e a tradução não oficial para castelhano que efectuei das partes relevantes do documento referentes a Palanquero no site do Centro de Alerta para a Defesa dos Povos (Centro de Alerta para la Defensa de los Pueblos), um novo espaço que estamos a criar para garantir que a informação estratégica está disponível para aqueles que se encontram sob permanente ameaça de agressão imperialista.
06/Novembro/2009
# Documento original em inglês: www.centrodealerta.org/
# Tradução não oficial para castelhano: www.centrodealerta.org/

[*] Promotora federal de Nova York, vive em Caracas desde 2005. Autora de "The Chávez Code: Cracking US Intervention in Venezuela", "Bush vs. Chávez: Washington's War on Venezuela;, "The Empire's Web: Encyclopedia of Interventionism and Subversion"; "La Mirada del Imperio sobre el 4F: Los Documentos Desclasificados de Washington sobre la rebelión militar del 4 de febrero de 1992"

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=15951 e em
Postcards from the Revolution . Traduzido pelo colectivo Leitura Capital.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

23 de outubro de 2009

GIZ MOÍDO PARA BRINCAR – POLÍCIA PARA QUE?

Laerte Braga

Alunos de uma escola pública da cidade gaúcha de Sapacuia do Sul aproveitavam o recreio para moer o giz que encontravam nas salas de aula e brincar de “tráfico”. A “brincadeira” consistia em conseguir um maior número de usuários de drogas e bocas de fumo.

A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul arquivou o pedido de impedimento da governJustificaradora tucana Yeda Crusius, notória corrupta, uma das figuras mais repugnantes da política brasileira, desde que surgiu no governo do ex-presidente Itamar Franco (apareceu levada por FHC).

Especialistas em educação e a própria Polícia da cidade entendem que a “brincadeira” deve servir de alerta sobre a influência do tráfico e pretendem promover palestras em todas as escolas públicas de Sapacuia do Sul para mostrar os riscos de usar e traficar drogas.

Sugiro convidar o presidente da Colômbia, o narcotraficante Álvaro Uribe. O tema? “Como substituir o giz moído por produto original da Colômbia, cem por cento de pureza e um monte de bases norte-americanas para garantir a paz”

Deveriam exibir, aí como abertura, as declarações de Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto. “Perdemos a guerra contra o tráfico, é preciso começar a pensar em liberar o uso de drogas”. Foram feitas na França, quinze ou vinte dias atrás.

Dois policiais militares do Rio de Janeiro, um deles capitão, presenciaram o final de um assalto, um corpo agonizante numa agência bancária no centro da cidade e tomaram a seguinte decisão. Pegaram o produto do roubo em poder dos assaltantes, deram uma olhada na vítima e foram embora. Os assaltantes também.

A vítima era o coordenador do Afroreggae Evandro João da Silva e o fato aconteceu no domingo. Os policiais, capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro e o cabo Marcos de Oliveira Sales estão presos num batalhão da PM, mas podem ser soltos no sábado e responder ao inquérito em liberdade. Para que isso não ocorra é necessário que o encarregado das investigações peça à Justiça a prisão da dupla e a Justiça entenda que os dois devam ficar presos.

A julgar pela reação da opinião pública e a aposta da GLOBO no caráter espetáculo que norteia os noticiários da rede sobre crimes assim, correm, capitão e cabo, o risco de permanecerem presos por um breve período. Pelo menos até que algum Nardoni mate a filha, ou algo semelhante. O letreiro do espetáculo seja outro.

As imagens do crime não permitem fugir do clichê. São chocantes. Tanto as do assalto como as da ação dos PMS. Ou falta de ação, pelo menos a esperada, ou a desejada. Evandro João da Silva integrava um grupo que entre outras atividades de natureza cultural promovia a paz como símbolo de sua luta.

O deputado Ivan Valente do PSOL de São Paulo (condado vizinho que fala a mesma língua sob controle do grupo “socialista” FIESP/DASLU) foi à tribuna da Câmara para denunciar o poder do latifúndio, do agronegócio no Parlamento e a criminalização de movimentos populares, particularmente o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra). A total inversão da realidade, tal e qual a “ação” dos policiais no Rio e o reflexo da boçalidade vendida diariamente pela mídia na “brincadeira” dos alunos da escola gaúcha.

Bobagem? Uma coisa não tem nada a ver com a outra? Tudo bem. Quem quiser imaginar que além de Homer Simpson possamos ser avestruzes no estômago para engolir tudo e na mania de enfiar a cabeça em buracos para não ver a realidade, que coma giz moído, ou sopa de pedras, antes de mergulhar em buracos que na prática são como formigueiros de alienação.

O deputado denunciou a volta da monocultura, assim aquele negócio de sermos o maior produtor de café do mundo (tempos atrás) e não produzirmos mais nada. A falta de controle sobre as “isenções milionárias e incentivos à exportação, o adiamento e o cancelamento de dívidas do Banco do Brasil para um setor que já é ultraprivilegiado no País”.

E toca na ferida. “que atrás disso tem uma campanha midiática”.

No discurso do deputado ele usou como elemento de demonstração, digamos assim, da forma mentirosa como o latifúndio criminaliza o MST, um artigo de Luis Carlos Bresser Pereira, ex-ministro de FHC. E ex-diretor do grupo Pão de Açúcar. No artigo Bresser Pereira classifica o MST como único movimento conhecido na “defesa dos pobres deste País”. Bresser Pereira é filiado ao PSDB, braço do condado “socialista” FIESP/DASLU. Deve ter tido um ataque de bom caratismo, costuma acontecer.

Dá conta que as imagens apresentadas pela televisão (A GLOBO é uma espécie de Kama Sutra da informação, as mais diversas posições, versões, desde que tremulem os interesses dos que pagam, no caso elites econômicas) das terras da CUTRALE, sem citar que são terras públicas griladas e objeto de busca do INCRA (INSTITUO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA) na Justiça de reintegração de posse das tais terras. Terras roubadas a União em linguagem direta por empresários (que diferença há entre tais e o tráfico?).

O mesmo Bresser Pereira, como citou o deputado Ivan Valente, dá conta no seu artigo que é a agricultura familiar que usa três quartos da mão de obra no campo e em um quarto das áreas cultiváveis. O resto está em mãos do latifúndio.

Duzentos e oitenta e dois bilhões de reais no ano passado foram destinados, dinheiro público, para amortizar a divida dos latifundiários e “ninguém quer investigar”. Denuncia mais o parlamentar. Que querem revogar a legislação ambiental para plantar mais e mais de uma só cultura, mandando para o espaço qualquer vagido de respeito ao meio-ambiente, ou preocupação com o tal “patriotismo” que arrotam dia e noite.

A senadora do DEM Kátia de Abreu usou dinheiro publico supostamente destinado a fomentar o plantio, a agricultura, em sua campanha eleitoral. O fato é público, notório e está todo provado em processo junto à Justiça Eleitoral, mas a senhora em questão continua senadora.

“O que se defende aqui é que a propriedade está acima da vida.” Foi a fala final do deputado.

Em qualquer manifestação contra a o governo podre de Yeda Crusius, ou de trabalhadores rurais sem terra contra roubos de terras públicas, em qualquer estado da suposta federação brasileira, a PM, qualquer PM, todas as PMs, estão sempre prontas ao “cumprimento do dever” de manter a ordem. Quando a mídia toca nesses assuntos se refere aos manifestantes como “baderneiros”, “terroristas”, etc.

Já sobre trapaças, fraudes, crimes contra o erário público como gostam de dizer, nada. Até que tocam, quando montam dossiês falsos e deixam de lado a principal notícia do dia, um acidente aéreo com mais de cem mortos, para tentar alcançar seus objetivos.

Via de regra reclamam de falta de ranhuras no aeroporto de Congonhas.

A Editora Globo edita uma revista chamada CRIATIVA. Numa delas pode-se achar matérias como confissões de “transas loucas”, assim tipo plantar bananeira e transar. É matéria de capa da edição de abril de 2009. Transformam o amor em ato de acrobacia.

Deve ser isso que William Bonner chama de ensinar sem conteúdo ideológico para evitar que os alunos das faculdades de comunicação tenham uma visão “esquerdista”. Só pode, a julgar pelo grau de cinismo do editor do JORNAL NACIONAL (NACIONAL deles, diga-se de passagem).

O capitão e o cabo que mataram Evandro João da Silva (Claro! Mataram também tanto quanto os assaltantes) são dois boçais dentre os produzidos em série pelo modelo. Na estupidez da ordem instituída devem ter se aproximado do corpo, depois de tomarem dos assaltantes o produto do assalto, constatado – a juízo deles – que a fatura estava liquidada e pronto.

Dever cumprido.

O comandante da PM pediu desculpas à família, à sociedade? E daí? Dona Kátia Abreu está lá em cima no Senado Federal deitando falação sobre progresso, democracia e contra o MST. Montada e eleita com dinheiro público, tanto quanto dona Yeda continua metendo a mão nos cofres do governo do Rio Grande do Sul, mas tudo direitinho, usando camisinha e segundo os padrões da mídia global.

Em breve, com certeza, jogo eletrônico disponível para crianças e adolescentes, com o nome “giz moído”. E o dantesco anúncio – “o desafio é você conseguir mais usuários e mais bocas de fumo”.

O prêmio? A democracia e a ordem. O primado da lei e o patriotismo.

Aí, dá um golpe militar em Honduras (boçalidade que ameaça retornar nesses nossos cantos). Comete toda a sorte de atrocidades contra palestinos. A culpa é do Irã e VEJA vai mostrar como o MST “ameaça” o complexo condado “socialista” FIESP/DASLU.

Polícia para que? O cidadão que trate de compreender seu real papel nessa história toda, enclausure-se e arranje estômago de avestruz. O máximo que acontece é a garantia que desde o pantoprazol esse assunto estômago é para tirar de letra. Giz moído não mata ninguém.

Mas cuidado, se perceber um PM por perto corra! Esse mata e em nome da lei. Se encontrar por acaso a senadora Kátia Abreu, ou a governadora Yeda Crusius, mão na carteira. E se o senador Suplicy estiver por perto de cueca vermelha não ria. Ele acha que está protestando contra alguma coisa. Se você der atenção vai ouvir uma didática explicação sobre nada em no mínimo trinta horas. Que nem aquele banco que não fecha. E não há quem agüente.

E não se esqueça de comprar CRIATIVA nas bancas.

14 de outubro de 2009

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MST

10/10/2009


Direção Nacional do MST
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Movimento comenta os fatos ocorridos na fazenda da Cutrale, no interior de São Paulo e denuncia o aumento da concentração da terra no país.

Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar:

1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.

2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.

A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.

3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.

6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que uma das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.

7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da polícia.

8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.

9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.

Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.

10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.

À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.

Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.

A GUERRA NO NOSSO QUINTAL

Laerte Braga
(especial para www.jornalorebate.com.br)

A secretária de Estado do governo dos Estados Unidos advertiu o governo do Irã que o “mundo ocidental está perdendo a paciência com o não cumprimento dos deveres internacionais em relação ao uso de energia nuclear”. Nem uma palavra sobre as armas nucleares de Israel em franco desacordo com esses mesmos “deveres internacionais”. Ou sobre os relatórios de organizações internacionais, inclusive da ONU, em torno das barbáries cometidas contra palestinos.

E muito menos sobre a visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil em novembro próximo. Na cabeça da secretária o Brasil não conta como país ocidental.

Hilary Clinton está preocupada com a “corrida armamentista” na América Latina e enxerga focos de futuros conflitos em toda essa parte do mundo. A secretária de Estado não vê sentido nas forças armadas de países latino-americanos se equiparem e sofisticarem seus arsenais. Entende que os EUA podem cuidar da segurança de cada um desses países.

E, em contrapartida, submissão total a Washington. Essa proposta curiosamente veio de outro Clinton, o marido Bil. Quando presidente da república propôs a FHC então presidente do Brasil que as forças armadas dos dois países se fundissem para garantia da “democracia”. FHC não foi contra a idéia, lógico, mas recomendou que o assunto viesse a ser discutido mais à frente. Temia reações dos militares brasileiros.

Para Hilary a grande fonte de preocupação são os generais de países latinos. Existem as chamadas áreas de tensão e generais, como enxerga a secretária têm a mania da guerra. Caso de Leopoldo Galtieri na aventura para tentar libertar as ilhas Malvinas do domínio inglês. Costumam custar caro e às vezes se transformam em ditadores fanfarrões como o foram Stroessner, Pinochet, Trujillo, Batista e outros.

A forma como Hilary Clinton enxerga o que chama de “corrida armamentista” está exposta de forma clara em


Fica transparente nesse documento que os norte-americanos não querem os países latino-americanos capazes de se defender de eventuais agressores, o maior deles, em potencial, os Estados Unidos.

Sete bases militares na Colômbia a pretexto de combater o narcotráfico e sustentar um governo de um traficante. Não há contradição nisso, apenas deixam cair a máscara imperialista da hipocrisia capitalista.

Há uma guerra global pelo controle das principais fontes energéticas no mundo e posições geopolíticas que assegurem o controle do planeta pelo império norte-americano.

A ofensiva hoje se dá tanto do ponto de vista militar, como aconteceu no Iraque, acontece no Afeganistão e muitas delas antes, ou se dá pelo controle de governos (caso de FHC no Brasil e da aposta em José Jânio Serra). Pelo controle da mídia, setores estratégicos da economia, enfim, a exportação do american way life com grife de Hollywood para facilitar a penetração.

Os EUA hoje agem em sintonia com o estado terrorista de Israel. Para além das barbáries cometidas contra palestinos, dos saques, estupros de mulheres palestinas, assassinatos, torturas, Israel executa os chamados serviços sujos da “inteligência” norte-americana, mesmo porque, grupos sionistas são os principais acionistas da Cervejaria Casa Branca.

A presença do MOSSAD, esquadrão terrorista de Israel pode ser compreendida em



O golpe militar que derrubou o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, saiu de Washington. O referendo que o presidente pretendia realizar não tratava de reeleição. Zelaya queria saber do povo hondurenho se deseja ou não uma nova constituição. Foi o pretexto. O presidente vinha tomando medidas consideradas contrárias aos interesses dos EUA. E principalmente das elites do seu país. Aumento de salário mínino, saúde e educação com acesso a todos os cidadãos e iniciava passos na direção de uma reforma agrária.

Zelaya se aproximou de Hugo Chávez, Venezuela e, para Hilary Clinton e o stablishment norte-americano, isso é intolerável. A América Latina é quintal dos Estados Unidos. A idéia que governos identificados com as aspirações de seus povos e que sejam capazes de promover a integração política e econômica dessa parte do mundo não é aceita pelos norte-americanos, sejam eles republicanos ou democratas.

Desde o fim da União Soviética que os sucessivos presidentes dos EUA cultivam políticas de um grande bloco econômico unindo todas as Américas. Reagan apostou tudo na derrubada de Ortega na Nicarágua, interveio em Granada, submeteu governos e promoveu uma onda neoliberal em países de extrema importância como o Brasil e a Argentina (com a cumplicidade de presidentes comprados).

A ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas) foi definida por Colin Powell, general e secretário de Estado do primeiro mandato de George Bush filho, como “um mercado de um trilhão de dólares”. Para esse projeto o Brasil é de capital importância. Nixon foi claro ao dizer que “para onde se inclinar o Brasil se inclinará a América Latina”, ainda em plena guerra fria e com países como o nosso submetidos a ditaduras militares implantadas e centralizadas em Washington. Os tais militares patriotas.

A eleição de Lula (malgrado o seu equilibrismo, bem menor neste final de governo), a presença de Chávez, Evo Morales, Rafael Corrêa, Fernando Lugo, os incômodos causados por Cristina Kirchnner e os governos da Nicarágua e El Salvador na América Central, além da presença de Cuba há cinqüenta anos, tudo isso e mais alguma coisa transformou a democracia num pesadelo para norte-americanos e seus interesses.

Falo de América Latina. É assim na África, na Ásia, no Oriente Médio e poucas não têm sido as tentativas de controle das antigas repúblicas que formavam a União Soviética. O recuo é momentâneo diante da reação de Wladimir Putin na Ossétia, Geórgia.

Bases militares, intervenções em países como o Haiti (com a cumplicidade do Brasil). A guerra do Iraque, a do Afeganistão (que especialistas apontam como outro Vietnã), isso tudo e o gerente geral da cervejaria recebe o prêmio Nobel da Paz.

A agressão da Grã Bretanha a Argentina na guerra das Malvinas foi apoiada e incensada por Reagan, a despeito do governo argentino estar em mãos de militares subsidiados e sustentados pelos EUA.

Na década de 70, século passado, um estudo das Nações Unidas apontava para futuros conflitos militares na América Latina. Seja por questões de fronteiras mal definidas, seja por tensões como as que vemos agora, quando os EUA transformam a Colômbia em colônia (pouco se importando que Uribe seja do cartel de traficantes) e mantêm em Honduras uma base militar que opera golpes em toda a América Central.

Apostam tudo na eleição do atual governador do antigo estado de São Paulo (condado FIESP/DASLU) José Jânio Serra (o que limpa as mãos com álcool gel depois de cumprimentar eleitores), para fechar o cerco e incluir no rol de países submissos o maior e mais importante país da América Latina, o Brasil. O escalpo dos brasileiros no salão oval da cervejaria.

A descoberta de reservas fantásticas de petróleo na camada do pré-sal no litoral aumenta a importância do Brasil. Sem o Brasil os EUA marcham para perder toda a América Latina e diante da grave crise do capitalismo começam a murchar. É exatamente aí que se tornam mais agressivos.

A guerra hoje se faz com bandeira da ONU a serviço do imperialismo norte-americano. É mais barata. Incorporam forças armadas “aliadas”, vale dizer colonizadas e o custo é bem mais baixo. Transferem para países/colônias, pseudo nações independentes, a responsabilidade de defender o que chamam de democracia, o que Hilary chama de mundo ocidental.

Criminalizam e para isso contam com a mídia comprada a peso de ouro movimentos populares como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) no Brasil. Atribuem às FARCS-EP o tráfico de drogas que é feito por Uribe e os paramilitares de extrema direita (cinco mil opositores assassinados nos anos Uribe). Investem contra governos democráticos como o do presidente Chávez. Fomentam o separatismo na Bolívia a partir de elites podres (elites são apátridas e fétidas).

Disseminam o modo de ser norte-americano pelo mundo, hoje uma sociedade estigmatizada por 90 milhões de cidadãos sem qualquer amparo do Estado e enchem as burras das empresas privadas com dinheiro público para evitar falências como a da GENERAL MOTORS.

Uma das primeiras providências da quadrilha que tomou de assalto o poder em Honduras foi transferir dinheiro público para banqueiros em estado pré-falimentar, decisão que Zelaya havia se negado a tomar. Está lá, em



O Partido Comunista Brasileiro – o velho/novo Partidão – em seu XIV Congresso Nacional realizado semana passada no Rio de Janeiro tratou do tema “Reconstrução Revolucionária”.

Num espectro maior que o do próprio partido, pois abriu o evento a convidados e observadores, diagnosticou toda essa realidade e o mote do Congresso resta sendo a tarefa das forças populares em toda a América Latina.

Não é uma luta brasileira. É uma luta latino-americana. Ou se compreende assim, ou nos EUA vão comendo o mingau pelas beiradas, como fazem nos chamados tratados de livre comércio bi-laterais (Chile por exemplo, ou a incorporação do México no NAFTA).

Acreditar em alternativas dentro do mundo institucional é acreditar em ilusões. Basta dar uma olhada no Senado brasileiro. Ou em congressos de países onde os governos são submissos a Washington.

O próprio Judiciário (o nosso é um escandaloso exemplo) teve sua espinha dorsal quebrada. É mero departamento, pelas cortes supremas, de grandes conglomerados de empresas todas elas passando por Washington, sejam italianas, francesas, britânicas, etc.

A cara do mundo neoliberal é a cara de Wall Street.

Nem tampouco existe saída em reformas. Meros paliativos. Espécie de amendoim jogado aos macacos nas jaulas. Nada além disso.

O processo exige atitude de ruptura com o modelo. Não passa por eleições nos moldes que as temos. Exige um novo desenho da estrutura de comunicações (fim dos monopólios como a GLOBO) e de uma ampla participação popular.

Só se chegará a isso com organização. Esse é o grande desafio se quisermos sobreviver como nação soberana, livre e se desejarmos um futuro de justiça para os brasileiros. Do contrário sucumbiremos, como está sucumbindo Honduras a despeito da brava e exemplar reação de seu povo. Está sendo sumariamente executado num genocídio em nome de uma quadrilha de empresários/banqueiros e militares. O de sempre.

A boçalidade dos militares associados e subordinados a empresários não tem limites e em nosso país não é diferente. São poucos os chefes militares com consciência dessa ofensiva sobre o Brasil. E quando o tem, o viés é nacionalista e fascistóide. O expurgo promovido pelo movimento fascista de 1964 afastou militares comprometidos com o Brasil. O comando era norte-americano.

É preciso perceber que a guerra está batendo em nossa porta, chegando ao nosso quintal e é fundamental estar preparado para enfrentar as hordas bárbaras do prêmio Nobel da Paz. O gerente geral da Cervejaria Casa Branca. O que finge que é negro, mas na primeira cabine telefônica, longe de Lois Lane, veste a roupa de Superman, branco e fascista.

12 de outubro de 2009

FAÇA A GENTILEZA, EXPLICA DIREITINHO



O presidente dos Estados Unidos Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz. A honraria, vamos chamá-la assim, foi criada por Alfred Nobel, um químico e industrial sueco. Ao morrer deixou uma grande fortuna e desgostoso com o uso da dinamite para fins militares – foi ele o inventor da dita cuja dinamite – resolveu por testamento instituir prêmios àqueles que viessem a contribuir para o progresso da humanidade em determinadas áreas levando em conta, essencialmente, a paz.

Toda a sua fortuna pessoal foi o suficiente para instituir uma fundação e a partir daí conceder, anualmente, os prêmios.

Onde Barack Obama contribuiu para a paz e o progresso da humanidade? Nas bases militares que pretende instalar na Colômbia? Sete de uma vez só para fechar o cerco à Venezuela, ao Equador, a Bolívia e assegurar o controle da Amazônia.

Na ameaça de sanções políticas e econômicas contra o Irã? No olhar para o lado e fazer de conta que não tem nada a ver com as atrocidades cometidas por Israel contra os palestinos? Sustentar um golpe militar brutal em Honduras? No bloqueio econômico a Cuba?

Enviar mais tropas ao Afeganistão e pedir desculpas quando os seus “pacificadores” matam civis por engano? Só numa cerimônia de casamento cento e setenta mortos dentre eles o noivo e a noiva?

Ou porque é um “bom rapaz”, finge-se de negro, tem origem humilde e transformou a Casa Branca numa cervejaria?

Henry Kissinger também foi agraciado com a distinção, ou laurel, o que seja. Foi um dos envolvidos no golpe militar contra Salvador Allende no Chile e no assassinato de vários presos políticos na América Latina ao dar sinal verde para a Operação Condor. Aparato repressivo que juntou as ditaduras do Brasil, da Argentina e do Uruguai, de quebra Pinochet e o Paraguai, com o objetivo de eliminar – e eliminou – adversários e lutadores populares.

Há quem enxergue no cientista do filme “Doutor Fantástico” do notável cineasta Stanley Kubrick a inspiração do ex-secretário de Estado. Kissinger nasceu na Alemanha. É aquele que vive segurando a mão direita. Quando escapa não resiste e grita Heil Hitler!

O que levou Alfred Nobel a destinar toda a sua fortuna a esse fim, com certeza, não foram as armas químicas e biológicas que norte-americanos usam no Afeganistão, como usaram no Vietnã e o estado terrorista de Israel usa contra palestinos. Com certeza não foi.

À época da ditadura militar os integrantes da academia sueca que se reúnem para escolher o agraciado com o Nobel da Paz foram pressionados de todas as formas possíveis para que o arcebispo brasileiro Hélder Câmara não fosse o contemplado. Houve desde gestões dos generais brasileiros junto ao governo sueco, como ameaças explícitas que uma eventual concessão do prêmio a Dom Hélder poderia vir a significar um arrocho na repressão. Ameaças de morte a D. Hélder.

Mais do que já era? Impossível. O ódio permanece vivo nessa gente é só olhar o que estão fazendo com as pensões das famílias de Lamarca e do major Cerveira.

A decisão de conceder o Nobel da Paz a um presidente em seu nono mês de mandato e sem que tenha conseguido outra coisa que não doar dinheiro público a empresas privadas é um escárnio. Submissão absoluta. A propósito, a Suécia nunca foi nada além de base militar dos EUA quando da guerra fria em ações de espionagem contra a extinta União Soviética.

Tirando Bergman, Greta Garbo e mais uns poucos o que fica do país é o tapinha de Mané Garrincha no ombro do rei Gustavo sei lá das quantas, na final da Copa de 1958.

Transformaram um fim previsto nos prêmios criados pelo químico sueco em espetáculo de puxa-saquismo explícito e parte do jogo de um mundo globalizado segundo a ótica do capitalismo.

A mídia inteira, a dita grande mídia, coloca Obama num altar, transforma-o em santo protetor dos oprimidos e afegãos continuam morrendo debaixo dos bombardeios norte-americanos. Presos continuam sendo torturados em Guantánamo (nem fechar a prisão ele conseguiu). O governo de Israel com aval dos EUA ameaça bombardear o Irã (ninguém fala nada sobre as armas químicas e biológicas e o arsenal nuclear de Israel) e continua sua política de extermínio do povo palestino.

Eles deviam explicar direitinho os critérios que nortearam a escolha de Obama. Será que o norte-americano enviou algumas caixas especiais de cerveja aos membros da Academia? Será que manifestou intenção de servi-las na solenidade de entrega do prêmio em dezembro?

Eu se fosse garçom ia botar a boca no trombone. Usurpação indevida de uma das mais importantes funções no processo de integração e interação dos seres humanos.

Do jeito que está não vai demorar muito e o distinto ou a distinta juntam cem tampinhas “premiadas” de budweiser e ganham um Nobel. Assim que nem aquelas garrafinhas antigas que a coca cola costumava premiar a turma. Tira aquele plástico que noutros tempos era cortiça e que vem na tampinha. Está lá escrito “vale um Nobel da Paz”.

Tem que ter, além do escrito, a imagem da Cervejaria Casa Branca e a de Barack Obama despejando o líquido nos copos dos acadêmicos.
Imagino que George Walker Bush, o terrorista que antecedeu a Obama deve estar tentando desatar o nó das pernas até agora, pois não entendeu nada. O cara faz tudo o que ele fez, só disfarça e ao invés de areia usa vaselina e ainda leva o Nobel da Paz?

E ele, que fraudou uma eleição para virar presidente, identificou o “eixo do mal”, foi lá “ajudar” os iraquianos a tomar conta do petróleo, fica como? Leva o Nobel de que?

O perigo é Obama acabar no próximo Big Brother. Ao invés de uma casa no complexo GLOBO, transformam a Cervejaria Casa Branca em reduto dos “brothers” e Boninho, o especialista em jogar coisas "purificadoras" em “vagabundas” (na cabeça dele, se é que tem) dirige tudo em tom maior.

O som? Desde a dor dos palestinos, ao sofrimento dos afegãos, passando pela barbárie hondurenha e nos milhares de assassinatos do governo narco/militar da Colômbia, agora com sete bases.

E a culpa é do Irã.

Vai ver que foi por isso que Paulo Skaft, presidente do esquema FIESP/DASLU, que detém o controle do governo do extinto estado de São Paulo, virou socialista e ingressou no partido do mesmo nome.

Quando Frank Sinatra veio cantar no Brasil manifestou intenção de bater um papo com Tom Jobim. Jobim se esquivou e foi, acho que para Petrópolis com a alegação “esse Sinatra é um chato”.

Esse trem de Nobel está virando uma chatice regada a colarinho de cretinice.

10 de outubro de 2009

Virar à Esquerda! Reatar com o Socialismo!

O companheiro Serge Goulart é um dos 6 candidatos a presidente nacional do PT que concorre nas eleições internas do PT (PED 2009).

A chapa Virar à Esquerda! Reatar com o Socialismo!, apresenta a candidatura do companheiro Serge Goulart, e pede seu apoio para levar estas idéias ao conjunto do partido.

Serge Goulart é fundador do PT, foi dirigente do partido em Santa Catarina e membro do Diretório Nacional. Desde 2003, foi eleito Coordenador do Conselho de Fábrica da CIPLA e Interfibra, fábricas ocupadas pelos trabalhadores, assim como do Movimento Nacional das Fábricas Ocupadas. É da direção Internacional da campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”.

Serge é dirigente da Esquerda Marxista do PT e autor dos livros “Devolvam a nossa Previdência”, “Racismo e luta de classes”, “ALCA, NAFTA, MERCOSUL e Tratados de Livre Comércio”, além de ser editor do “Jornal Luta de Classes” e da revista marxista América Socialista, entre outras publicações.

Apresentamos a candidatura de Serge Goulart para discutir com todo o partido a necessidade de romper com a direita e os partidos da burguesia, constituindo um governo dos trabalhadores do campo e da cidade, de luta pelo socialismo.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com o companheiro Serge Goulart concedida em 10 de Agosto de 2009 ao site da Esquerda Marxista.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com o companheiro Serge Goulart concedida em 30 de Setembro de 2009 a um blog independente.

Clique aqui para assistir ao vídeo com o discurso do companheiro Serge Goulart no lançamento da chapa em Joinville-SC, em 02 de Outubro de 2009.

2 de outubro de 2009

O CONSELHEIRO LARANJA E O MINISTRO

Laerte Braga

O presidente nacional do PPS – Partido Popular Socialista (?) – Roberto Freire fez declarações a jornalistas em São Paulo pedindo o afastamento do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e alegando como razão para seu pedido, de seu “partido”, o fato de Amorim ter se filiado ao PT.

Segundo Roberto Freire a política externa do Brasil está acima de partidos e ao se filiar a um partido Celso Amorim compromete o País num momento delicado. Referia-se ao abrigo dado pelo Brasil ao presidente constitucional de Honduras Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Roberto Freire foi deputado federal pelo MDB eleito a partir de 1970 e até 1994, quando foi eleito senador. Em 2002 voltou à Câmara por falta de votos para reeleger-se senador (por pouco não perde as eleições para deputado federal em seu estado original, Pernambuco).

Hoje, cidadão paulista (parte do território brasileiro seccionada por organizações estrangeiras como PSDB, DEM. FIESP/DASLU), garante a sobrevivência com a aposentadoria integral do Instituto de Pensão e Aposentadoria do Congresso Nacional e um jabá de doze mil reais numa estatal paulista para funcionar como laranja do governador José Serra em seus projetos presidenciais.

Freire é a pior espécie de político que se pode conhecer. Quando eleito deputado federal pela primeira vez, em 1970, no MDB, integrava os quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB). O caráter de frente política que caracterizava o MDB permanece em linhas gerais no PMDB, hoje.

Em 1989 Roberto Freire candidatou-se a presidente da República e empolgou determinada parcela da opinião pública, classe média inclusive, já no Partido Comunista Brasileiro.

Todas as vezes que era perguntado sobre o processo de privatizações que começava a ser montado no Brasil a partir de interesses estrangeiros e do neoliberalismo, respondia que a primeira coisa a se fazer “é desprivatizar o Estado”. Ou seja, não se podia privatizar o que já era privado, o Estado brasileiro.

Perdeu, mas conseguiu projeção nacional. Foi líder do governo Itamar Franco na Câmara e senador em Pernambuco por conta de uma aliança partidária quase imbatível que elegeu Miguel Arraes governador daquele Estado.

Nesse meio de caminho e antes de virar senador, Roberto Freire convocou um congresso do PCB e propôs a transformação do partido em PPS. Por via das dúvidas, já que manobrava atendendo a interesses pessoais e dos grupos pelos quais fora cooptado (os tucanos, particularmente FHC), tentou segurar na Justiça a “propriedade” da sigla PCB.

Não conseguiu. Verdadeiros comunistas infensos ao canto da sereia de tucanos, recobraram a sigla e retomaram aos caminhos da luta no que hoje é o que sempre foi, o Partido Comunista Brasileiro. Um partido identificado com os princípios marxistas, voltado para a luta popular e distante desse mundo podre da política institucional tal e qual se pratica no Brasil, pratica Roberto Freire.

As declarações de Roberto Freire não foram produto de sua vontade, ou do seu entendimento, ou do entendimento do seu partido (até porque ele decide sozinho, é dono do partido). Foram decididas no núcleo que sustenta e comanda a campanha de José Serra à presidência em 2010.

Parênteses, para explicar que Roberto Freire, como senador, foi um dos principais articuladores do governo FHC na condução das privatizações, das reformas determinadas pelo FMI e Banco Mundial, aquele negócio de “desprivatizar o Estado” era boutade de campanha.

O que Roberto Freire ignorou ao falar como laranja de um esquema, muito bem remunerado, não se esquecendo doze mil por mês, foi que ao longo da história dos vários governos brasileiros, boa parte dos ministros das relações exteriores tinha filiação partidária.

No governo de Getúlio, Osvaldo Aranha era filiado ao PTB (antigo, não esse arremedo de hoje) e chegou a ser presidente nacional do partido. Com JK os ministros Macedo Soares, Negrão de Lima, Sette Câmara eram todos filiados ao ex-PSD. Afonso Arinos Mello Franco, ministro de Jânio Quadros e de um gabinete parlamentarista de João Goulart, era filiado a antiga UDN e, o pior de todos os esquecimentos.

Fernando Henrique Cardoso, ministro das Relações Exteriores do governo de Itamar Franco era e é filiado ao PSDB (tucanos).

A exceção de FHC, todos os outros chanceleres citados acima eram homens dignos, de caráter, íntegros no trato da coisa pública e a filiação partidária não os impediu de colocar os interesses nacionais acima de interesses partidários ou pessoais, ao contrário de FHC, que usou o governo de Itamar como plataforma para o projeto neoliberal no Brasil a partir de agências e governos estrangeiros, caso da vinculação de FHC à Fundação Ford.

Esse sim, canalha, vendeu o Brasil. E com o voto de Roberto Freire, inclusive a favor da reeleição comprada a peso de ouro.

O ministro Luís Felipe Lampreia do governo FHC, por quase sete anos no Itamaraty, ou mais de sete anos, ao sair do cargo virou consultor de empresas privadas e o recente escândalo envolvendo a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima em um caso de negócios com o senador ACM, mostrou como atuava o lobby de empresas privadas no governo do tucano e em muitos casos no Itamaraty. Foram vários os contratos obtidos pela OAS (Obras do Amigo Sogro), de um ex-genro de ACM nos países onde o marido de Lúcia era embaixador e com a participação direta do chanceler Lampreia.

Hoje, consultor, se vale das ligações e contatos que construiu no governo para continuar fazendo a mesma coisa.

Lampreia não tinha filiação partidária, é de carreira do Itamaraty.

Como se vê, a questão da filiação partidária de um ministro, qualquer que seja ele, não implica em ter mais ou menos caráter. Lampreia não tem nenhum, é agente de interesses estrangeiros no Brasil. Celso Amorim resgatou a política externa brasileira e conferiu ao País um respeito que não tinha no governo FHC. É só lembrar o chanceler que substituiu Lampreia, Celso Láfer. Submeteu-se a uma revista no aeroporto de New York, inclusive tirando os sapatos no período de paranóia de Bush com atentados. Ou seja, caiu de quatro.

O problema de Roberto Freire é que o ex-senador, ex-deputado e agora conselheiro laranja de Serra, numa estatal paulista qualquer, esqueceu-se da História. Rompeu seu compromisso com a História et por cause com qualquer princípio de dignidade ou respeito que chegou a merecer num determinado momento. Jogou fora a História e continua jogando fora sua história.

Declarações mesquinhas, pequenas, típicas de menino de recado.

Há uma diferença sem tamanho entre o ministro Celso Amorim, Chanceler com letra maiúscula e aqueles aos quais Roberto Freire está acostumado. Amorim nem cai de quatro e nem tira o sapato. E nem é laranja de ninguém por conta de doze mil reais por mês.

28 de setembro de 2009

“O GOVERNO COM AS ARMAS E NÓS AQUI ENTERRANDO NOSSOS MORTOS” – O “GOLPE DEMOCRÁTICO” SEGUNDO ARNALDO JABOR


por Laerte Braga


Angela Cristina Alvarez acompanhou todo o percurso da passeata que levou o caixão com o corpo de Wendy Elizabeth Ávila, de 24 anos, morta em conseqüência de complicações respiratórias provocadas por bombas de gás lacrimogêneo disparadas contra manifestantes desarmados em Tegucigalpa, Honduras.


Wendy era estudante de direito, asmática, segundo Angela Cristina Alvarez , indignada após o sepultamento da estudante a “situação está insuportável , o governo com as armas e nós aqui enterrando nossos mortos”.


Na opinião do comentarista Arnaldo Jabor, “especialista” em democracia e consultor do alto tucanato brasileiro, o que houve em Honduras foi um “golpe democrático”.


Já a rede GLOBO de um modo geral, por todos os seus jornalistas, veicula que as eleições irão resolver o grave quadro naquele país centro-americano gerado a partir da derrubada do presidente Manoel Ze laya.


Não diz que esse tipo de informação é difundida a partir de Washington, “os nossos amigos americanos” como costuma se referir a eles o apresentador do JORNAL NACIONAL William Bonner. E atende a interesses das elites hondurenhas. Depõem o presidente constitucional do país, convocam “eleições” entre eles mesmos e pronto. O “golpe é democrático”.


Capela onde o corpo de Wendy foi velado apesar da participação ostensiva dos principais dignatários (putz! Que esculhambação, dignatários!) da Igreja Católica no golpe contra Ze laya.


Por onde o velório passou, conforme noticiam agências de notícias de todo o mundo as pessoas saiam às portas e janelas de suas casas gritando e pedindo Justiça.


O governo de bestas/feras militares do país suspendeu as garantias constitucionais por 45 dias, ameaçou varrer a embaixada do Brasil do mapa e continua matando impune. Uma delegação da OEA (Organização dos Estados Americanos) foi impedida de entrar no país. A censura à imprensa foi imposta no pacote do estado de sítio.


Em Washington o presidente branco Barack Obama, disfarçado de negro e crente que preside alguma coisa, ainda não decidiu qual a marca de cerveja a ser servida esta semana na Cervejaria Casa Branca. Deve consultar o Conselho de Segurança da ONU e reforçar a presença de “libertadores” norte-americanos no Afeganistão.


A palavra final fica por conta do golpista Michelleti que, naturalmente, vai convidar Jabor e toda a equipe da GLOBO para visitar as “democráticas” ruas de Honduras. A base militar dos EUA por lá fornece os petiscos. A cerveja chega no mesmo vôo privado que levou bombas de fabricação israelense e com autorização do governo de Israel, para serem jogadas na embaixada do Brasil. De quebra uns agentes da CIA e outros do MOSSAD. Tipo assim treinamento de tiro ao alvo em civis desarmados.



O que se vê na foto acima é a chegada de Michelleti a uma sessão de extermínio de adversários. Junto dele o primeiro-ministro de Israel disfarçado de Hitler. Obama foi conferir o estoque de cerveja no freezer.


Estarrecedor o poder do presidente golpista de Honduras. Encaçapa o bobo da corte Barack Obama, silencia a sempre falante secretária Hilary Clinton e seus dráculas fardados festejam com sangue de inocentes na base dos EUA em Tegucigalpa.


De quebra desmonta a ONU inteira.


Obama e Hilary são cúmplice silenciosos do golpe, fazem o jogo do não façam o que eu falo. O que falam não é para valer.


Deve ser, com certeza, culpa do Irã. Pelo menos o tucano e doublê de jornalista Clóvis Rossi pensa assim e assim se manifesta na FOLHA DE SÃO PAULO. Aquele jornal que chamou a ditadura militar de “ditabranda”.


A esse tipo de gente falta o mínimo de compromisso com a verdade. São porta-vozes da boçalidade, da falácia de latifundiários, empresários e banqueiros, vivem dentro do sistema FIESP/DASLU, versão paulista (São Paulo é um país vizinho que fala a mesma língua), especialistas em golpes os mais variados. Uns assim meio que olhos esbugalhados como Jabor e Bonner (catedrático em ranhuras em aeroportos e dossiês) e o outro em parecer sensato.


Wendy Elizabeth Ávila, a estudante morta por vampiros fardados do exército hondurenho, é um dos símbolos da dignidade que falta, por exemplo, a Kátia Abreu, senadora DEMocrata, latifundiária e especialista em pegar dinheiro público para plantar, mas usa para regar sua horta bancária.


O que o mundo assiste em Honduras é repulsivo. Ultrajante. E ainda falam em “democracia”. Em golpe democrático.

24 de setembro de 2009

Honduras: O regime recorre à repressão. Insurreição nos bairros operários

23/09/2009


Jorge Martin


Revolução e Contra-revolução se digladiam em Honduras. Milhares são reprimidos em torno da Embaixada Brasileira. Entretanto o povo trabalhador se insurge nas comunidades pobres e chega a expulsar a polícia. Os militares estão cada vez mais sem saída.

Ontem pela manhã, a polícia e as forças armadas atacaram violentamente milhares de seguidores do presidente hondurenho Manuel Zelaya e lhes expulsaram de maneira violenta dos arredores da embaixada brasileira na capital Tegucigalpa. Entretanto, esta brutal repressão não esmagou a decisão da classe operária hondurenha de resistir contra o golpe de Estado.

Nas primeiras horas de terça-feira, 22 de Setembro, a polícia e as forças armadas atacaram de maneira violenta os arredores da embaixada brasileira na capital Tegucigalpa. Zelaya foi destituído por um golpe militar no dia 28 de junho, e durante 86 dias os trabalhadores, camponeses e jovens mantiveram um movimento heróico de resistência contra o regime golpista encabeçado por Micheletti. Para surpresa de todos, Zelaya conseguiu, em segredo, entrar no país, e buscou refúgio na embaixada brasileira na Segunda-Feira, dia 21 de setembro, de onde conclamou a população para que o protegesse.

Dezenas de milhares de pessoas estiveram celebrando fora da embaixada, apesar de o regime de Micheletti e da oligarquia ter decretado um toque de recolher em todo o país, que se aplica desde as 4 horas da tarde de Segunda-Feira e foi prolongado até as 6 da tarde da Terça-Feira. A chegada de Zelaya galvanizou as forças do movimento de resistência e foi um desafio direto à autoridade dos golpistas. Não podiam se manter quietos. Aproveitando o fato de que muitos manifestantes já haviam ido para casa, justo antes das 6h da manhã, centenas de homens armados da polícia anti-distúrbios e do exército, com veículos blindados, gás lacrimogêneo e munição letal, atacaram as 5 mil pessoas que ainda estavam em frente à embaixada. A repressão foi brutal, e finalmente expulsaram as pessoas que ficaram, seus esforços de resistência foram esmagados por uma força superior.

Mais de 200 pessoas foram detidas e levadas ao estádio Chochi Sosa, cenas que recordam às que se viveram no Estádio Nacional, no Chile, após o golpe de Pinochet. Há notícias de 80 pessoas que foram levadas aos hospitais e dois mortos, ainda que não se tenha confirmado e, em meio à repressão, o bloqueio dos meios de comunicação e o toque de recolher, é difícil conseguir informação confiável.

Hoje a situação segue extremamente tensa fora da embaixada. A polícia e o exército ocuparam todos os edifícios que rodeiam a embaixada, provocando o rumor de que iam assaltar o edifício diplomático e assassinar o presidente Zelaya, para depois dizer que ele havia se suicidado. Não há dúvidas de que o regime de Micheletti é capaz disso, mas provavelmente retrocederam ante as possíveis consequências internacionais deste tipo de ação.

Não obstante, esta brutal repressão não acabou com a vontade da classe operária hondurenha de resistir ao golpe de Estado. Seguindo a instrução dada pela Frente Nacional de Resistência, houve manifestações de massas e barricadas em todos os bairros operários da capital, além de protestos semelhantes que se repetiram nas principais cidades de todo o país. Também há notícias de manifestações e protestos nas menores comunidades rurais. A lista de lugares onde a população resistiu à repressão, desafiou o toque de recolher e, em alguns casos, expulsou a polícia e o exército, é longa.

A Frente de Resistência Nacional informou sobre manifestações nas seguintes zonas da capital: Colonia La Canadá, 21 de Febrero, Nueva Era, Víctor F. Ardón, El Reparto, Centro América Oeste, Villa Olímpica, Colonia El Pedregal, El Hatillo, Cerro Grande, Barrio Guadalupe, Barrio El Bosque, Colonia Bella Vista, Barrio El Chile, El Picachito, La Cantera, Colonia Japón, El Mirador, La Finca, Alto del Bosque e Barrio Buenos Aires. Em muitas destas zonas se levantaram barricadas para evitar a entrada do exército e da polícia. Segundo notícias da Rádio Globo Honduras, em San Francisco, a população saqueou e ocupou a delegacia de polícia.

A situação se repetiu por todo o país, com notícias de manifestações e enfrentamentos com a polícia e o exército em Guadalupe, Tocoa, Colón, Trujillo, Tela, Triunfo de la Cruz, San Juan Tela, Cortez, San Pedro Sula, Progreso, Choloma, Santa Bábara, Copan, Lempira, Intibuca, La Esperanza, La Paz, Marcala, Comoyagua, Siguatepeque, El Zamorano, Paraíso, Comayaguela, Choluteca e Zacate Grande entre outros.

Um membro da direção da resistência descreveu a situação como “insurreição” nos bairros operários e pobres da capital. Esta extensão da resistência está se produzindo apesar do bloqueio quase total dos meios de comunicação que existem no país, onde todos os meios ignoram as manifestações de protesto, com exceção da Rádio Globo Honduras e Canal 36. A Frente de Resistência está convocando uma manifestação para quarta-feira, dia 23 de Setembro, a partir das 8h da manhã, nos arredores da universidade.

No entanto, o regime de Micheletti tentava demonstrar força com uma conferência de imprensa na qual participaram representantes da principal organização empresarial, COHEP, que prometeu lhe dar todo seu apoio. Não obstante, a unidade do regime dependerá do quanto esteja assustado pelo movimento de massas. Setores importantes da classe dominante já estão considerando a possibilidade de tentar chegar a um acordo com Zelaya para evitar a derrota total do regime golpista.

As condições que Micheletti colocou (Zelaya não será presidente, deve aceitar a legitimidade das eleições do dia 29 de novembro, convocadas pelo regime, e será julgado) evidentemente não podem ser aceitas por Manuel Zelaya, e estão desenhadas principalmente como uma provocação.

Os golpistas e a classe capitalista hondurenha estão sob uma enorme pressão. A crise revolucionária já provocou perdas multimilionárias às suas empresas, e alguns podem começar a se perguntar quanto mais podem resistir. Sobretudo, temem que, se Micheletti mantém uma posição teimosa, então uma insurreição popular os jogará para escanteio.

As próximas horas e dias serão decisivos. As estruturas da Frente de Resistência nas comunidades e localidades demonstraram sua capacidade de manter a mobilização e, em alguns casos, expulsar de suas comunidades as forças repressivas. Hoje a batalha será pelo controle das principais áreas da capital. Estes comitês de ação devem ampliar suas tarefas e assumir a responsabilidade do funcionamento da vida cotidiana nestas regiões. O exército ocupou a Empresa Nacional de Energia (ENEE) e cortou a eletricidade e a água em muitas regiões. Os sindicatos dos trabalhadores desta empresa, junto aos comitês de resistência nas comunidades, devem garantir o restabelecimento do presidente.

A manifestação hoje provavelmente sofrerá uma dura repressão do exército e da polícia. Os organizadores, através dos comitês de comunidades da Frente, deveriam estabelecer piquetes para defendê-los e, se necessário e factível, lutar. Dever-se-ia fazer um chamado às fileiras do exército nas linhas do que fez Zelaya há dias atrás: “não disparem contra o povo, voltem suas armas contra seus oficiais”. Os soldados comuns do exército hondurenho também são filhos da classe operária e dos pobres. Seus familiares e amigos devem fazer uma campanha de propaganda sistemática e convencer os soldados de que seu destino está com o povo, não com a oligarquia. Entretanto, em última instância, o que romperá o exército e derrubará o regime será o fato de que os trabalhadores, os camponeses e os pobres sejam os verdadeiros amos da situação, através de manifestações nas ruas, barricadas e uma greve geral insurrecional.


* Viva a luta do povo de Honduras!

* Abaixo a ditadura de Micheletti!

* Abaixo a oligarquia!

* Manifestações de massa, greve geral e insurreição nacional!

* Traduzido para o português por Lucas Morais

Manifesto contra o Jornal Estado de Minas

Manifesto contra o Jornal Estado de Minas

Autores: Gustavo Machala e Lucas Morais

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To: Jornal Estado de Minas

Repudiamos a prática tendenciosa do Jornal Estado de Minas, realizada no dia 23 de setembro de 2009, ao estampar em sua capa uma imagem do conflito ocorrido entre policiais e manifestantes nos arredores da Embaixada Brasileira de Tegucigalpa (capital hondurenha) juntamente a uma fotografia de Manuel Zelaya, presidente deposto, dormindo em com seu tradicional chapéu por cima da face. Junto às imagens foi posta a seguinte frase "Enquanto Honduras pega fogo...”

Numa postura claramente antiética, o jornal dá a entender que as fotos são simultâneas, condicionando o leitor a crer que, enquanto toda a confusão ocorria nos arredores do prédio da embaixada, Zelaya tranquilamente dormia próximo a uma janela, durante o dia.

Somos contrários a atitude do Jornal Estado de Minas, que mancha não só a imagem de Minas Gerais, mas de todo o Brasil perante a comunidade internacional.

Jornalismo não deve ser feito de forma tendenciosa; o jornalismo ancora-se nos fatos, na pluralidade de vozes, no respeito à ética e aos leitores.

Conclamamos o Jornal Estado de Minas a prestar contas aos seus leitores e à sociedade por tão vil ato de desrespeito ao direito humano à comunicação e à informação.

PELA CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO!
TODOS TEM DIREITO À VERDADE DOS FATOS.

Sincerely,

The Undersigned

Associação Cultural Marcus Garvey
Associação dos Jornalistas do Serviço Público - Ajosp
Centro pela Mobilização Nacional em Minas Gerais
Grupo COEXISTA e Ponto de Cultura Imagem & Ação
Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Libertos Comunicação
Sind-UTE/MG
SINDICATO DOS AGENTES DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS - SINDETIPOL

Alexandre Nativa
Eliane Faccion - jornalista e publisher
Heitor Reis (militante da Abraço-FNDC, palestrante e articulista da Fenai - Federação Nacional das
Associações de Imprensa)
Lucas Morais (militante da Esquerda Marxista)
Kerison Lopes - Secretário de comunicação do PCdoB-MG
Pedro Pena
Rogério A. Baracho - HIPHOPGERAIS INTERCÂMBIO
Aline Braga Farias Conceição - Jornalista
Natália Almeida Fares Menhem
Diego Assunção de Oliveira

Antonio Carlos Rabelo
Roberto Martini Junior - Estudante de Psicologia (UFMG)
Benedita Maria Vieira de Carvalh
o
Bernadete Esperança Monteiro
Wanderley dos Anjos
Rosa Marie Murakami

Sonia Montenegro
Martin Wilhelm Kuhne
Marcelo Pereira
Wesley Lopes Kuhn
Márcio Leal


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The Manifesto contra o Jornal Estado de Minas Petition to Jornal Estado de Minas was created by Movimento pela Ética na Comunicação and written by Heitor Reis (heitorreis@gmail.com). This petition is hosted here at www.PetitionOnline.com as a public service. There is no endorsement of this petition, express or implied, by Artifice, Inc. or our sponsors. For technical support please use our simple Petition Help form.